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A ciência da ansiedade com o celular

Os smartphones acrescentaram uma barra de status a todo relacionamento — online, visto por último, lido às 21h47 — e transformaram a incerteza comum em algo que dá para ver se atualizando em tempo real.

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Abra a conversa, veja o status online, feche o app sem checar novamente por quinze minutos. Note se essa pausa muda o que você realmente acredita sobre o silêncio.

Quem pesquisa 'intrusão eletrônica' e vigilância de parceiros já passou mais de uma década rastreando o que realmente acontece quando alguém checa o celular, as redes ou o status de um parceiro: essa checagem tem muito mais a ver com a própria ansiedade de apego de quem observa do que com o que o parceiro de fato faz, e se associa a mais ciúme e menos confiança, não o contrário. É isso que os dados mostram sobre esse loop.

1 weekfoi a duração do estudo de diário diário em que Marshall e colegas constataram que o comportamento de vigilância subia e descia no mesmo ritmo dos picos diários da própria ansiedade de apego3 behaviorscompõem a 'intrusão eletrônica' como definida pelos pesquisadores — ler mensagens privadas sem permissão, rastrear a localização do parceiro e monitorar com quem ele fala — todas previstas pela própria ansiedade de apego de quem monitora, em homens e mulheres2 samplesde parceiros românticos, testadas separadamente, replicaram o mesmo padrão no trabalho de Marshall e colegas: mais ansiedade de apego previu mais vigilância no Facebook, mais evitação previu menos8 itemscompunham a primeira escala validada que ligou a checagem obsessiva do parceiro ao ciúme e à menor satisfação com o relacionamento — o Facebook Intrusion Questionnaire

Como a ciência mudou

  1. 2007

    Mikulincer e Shaver formalizam as 'estratégias de hiperativação' da teoria do apego: quando pessoas com apego ansioso sentem que um parceiro pode estar indisponível, respondem com vigilância, protesto e monitoramento intensificado em busca de tranquilidade — um padrão depois observado quase idêntico dentro dos indicadores de status e apps de mensagem.

  2. 2011

    Elphinston e Noller publicam a primeira medida validada de 'intrusão no Facebook' — a checagem obsessiva do perfil do parceiro — e constatam que ela prevê pensamentos ciumentos e menor satisfação com o relacionamento, não tranquilidade.

  3. 2012

    Hall e Baym mostram que esperar contato móvel constante com o parceiro prevê mais superdependência e uma sensação de aprisionamento, o que por sua vez prevê menor satisfação com o relacionamento — mandar mais mensagens de 'checagem' não é o mesmo que cuidar mais.

  4. 2013

    Marshall, Bejanyan, Di Castro e Lee constatam que a ansiedade de apego — e não qualquer comportamento objetivo do parceiro — prevê mais vigilância no Facebook, e um diário de uma semana mostra que as mesmas pessoas vigiam mais nos dias em que a própria ansiedade dispara.

  5. 2013

    Muscanell e colegas constatam que as pessoas se preocupam especificamente com o fato de o parceiro ver a própria atividade on-line, mostrando que o loop de ansiedade funciona nas duas direções — ser observado e observar.

  6. 2014

    Fox e Warber constatam que a incerteza no relacionamento — não evidência confirmada de um problema — é o que prevê a vigilância do parceiro nas redes sociais, e que é a ansiedade de apego que eleva essa incerteza desde o início.

  7. 2015

    Reed, Tolman e Safyer cunham o termo 'intrusão eletrônica' para ler mensagens privadas do parceiro, rastrear sua localização e monitorar com quem ele fala sem permissão — e constatam que a ansiedade de apego prevê isso tanto em homens quanto em mulheres em relacionamentos universitários.

O que as pessoas acreditam vs. o que os dados mostram

A crençaChecar a hora do 'visto por último' ou a confirmação de leitura do parceiro é só buscar informação — não faz mal a ninguém.

Os dadosElphinston e Noller constataram que a checagem obsessiva do parceiro prevê mais pensamentos ciumentos e menor satisfação com o relacionamento, mediada pela própria vigilância — checar faz parte do loop que produz o sofrimento, não é uma forma neutra de resolvê-lo.

A crençaVigiar o celular ou as redes do parceiro finalmente vai te tranquilizar.

Os dadosMarshall e colegas constataram que mais vigilância se associa a menos confiança e mais ciúme no dia a dia, não menos, e que as pessoas vigiam mais nos dias em que a própria ansiedade dispara — a checagem acompanha a ansiedade, não a resolve.

A crençaQuerer saber com quem o parceiro fica trocando mensagens o tempo todo é só prestar atenção, não é ciúme.

Os dadosReed, Tolman e Safyer definiram exatamente esse comportamento — monitorar com quem o parceiro fala — como uma forma de intrusão eletrônica, e constataram que ele era previsto pela própria ansiedade de apego de quem monitora, tanto em homens quanto em mulheres, não por algo que o parceiro tivesse feito.

A crençaSe o parceiro fica esquisito com o celular, isso prova que ele está escondendo algo.

Os dadosFox e Warber constataram que a incerteza no relacionamento prevê a vigilância do parceiro independentemente da conduta real dele — o impulso de monitorar acompanha a incerteza de quem monitora, que a própria ansiedade de apego eleva, não uma prova de má conduta.

A crençaEsperar mensagens constantes e respostas instantâneas é só um investimento normal no relacionamento.

Os dadosHall e Baym constataram que esperar contato móvel constante previa superdependência e uma sensação de aprisionamento, o que por sua vez previa menor satisfação com o relacionamento — não mais segurança sentida.

TESTE-SE · Quanto você sabe desta ciência?

  1. 01 Segundo Marshall e colegas (2013), o que realmente prevê mais vigilância do parceiro — checar o Facebook ou as redes dele?

    Marshall e colegas constataram que a ansiedade de apego — não o comportamento do parceiro, a duração do relacionamento ou o conflito — previa mais vigilância, mediada em parte por menor confiança e ciúme diário; um diário de uma semana replicou o padrão dia a dia. fonte

  2. 02 Como Reed, Tolman e Safyer (2015) chamaram o comportamento de ler as mensagens privadas do parceiro, rastrear sua localização e monitorar com quem ele fala, tudo sem permissão?

    Reed, Tolman e Safyer cunharam 'intrusão eletrônica' para esse conjunto de comportamentos e constataram que ele era previsto pela própria ansiedade de apego de quem monitora, tanto em homens quanto em mulheres universitários — não por algo que o parceiro tivesse de fato feito. fonte

  3. 03 Fox e Warber (2014) constataram que a vigilância do parceiro nas redes sociais estava mais associada a:

    A incerteza no relacionamento — não uma má conduta confirmada — previa o comportamento de vigilância, e foi a maior ansiedade de apego que elevou essa incerteza desde o início. fonte

  4. 04 Hall e Baym (2012) constataram que esperar disponibilidade móvel constante do parceiro previa:

    Esperar contato constante se associou a se sentir superdependente e preso, o que previa menor satisfação — mais contato não é simplesmente mais segurança. fonte

  5. 05 O Facebook Intrusion Questionnaire (Elphinston & Noller, 2011) constatou que checar obsessivamente o perfil do parceiro previa:

    A intrusão no Facebook se associou à insatisfação com o relacionamento por meio de pensamentos ciumentos e comportamentos de vigilância — a checagem amplificava os próprios sentimentos que deveria acalmar. fonte

Os pesquisadores por trás

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