SCENE_01
A apagada na garagem
Você ainda está no carro, motor desligado, o polegar sobre o histórico do navegador. Apaga uma vez, volta para conferir se sobrou algo, e apaga de novo só para ter certeza. Olha para a janela da casa para ver se alguém está observando, e treina o rosto normal no espelho do para-sol antes de entrar.
SCENE_02
O veredito que você já escreveu pelos outros
Na cabeça você faz o julgamento: o rosto da sua mãe, o do seu parceiro, se vissem aquelas abas abertas. Você decide que o veredito seria imediato e definitivo, não curiosidade, mas prova de que algo está errado em você. Então prepara uma desculpa para uma pergunta que ninguém fez, evita qualquer conversa que possa chegar perto do assunto, e trata a própria privacidade como prova a ser escondida.
SCENE_03
O que o botão apagar realmente prova
Uma busca apagada não é uma confissão, é apenas como a privacidade parece por fora, e todo mundo mantém alguns cômodos da mente fechados para visitas. A leitura mais precisa: se perguntar algo sobre a própria sexualidade não te transforma numa versão pior de você mesma, te transforma em alguém com vida interior. Hoje à noite, em vez de apagar por reflexo, deixe uma busca intacta no histórico por uma hora.