SCENE_01
Guarita do prédio comercial, 3h20
Você está na ronda das três da manhã, sentado na guarita perto da catraca, com quatro minutos até a próxima checagem pelo rádio. Puxa o celular do bolso. A conversa com ela ficava no topo da lista semana passada; hoje está na oitava posição, ultrapassada por um grupo de colegas de plantão e um aviso de entrega. Você arrasta a tela para cima de novo, como se atualizar fizesse a conversa voltar ao lugar.
SCENE_02
O que a oitava posição parece provar
Você lê essa posição como um veredito: oitava significa que ela está se afastando, nona seria pior, primeira significaria que ainda está tudo bem. Você reabre a conversa só para reler as últimas mensagens, caçando a frase exata onde o interesse começou a esfriar. Digita uma mensagem qualquer, sem assunto real, e apaga antes de enviar, porque escrever sem mandar é o único jeito de registrar a queda sem admitir que estava contando as posições.
SCENE_03
O que a lista realmente ordena
Quando o rádio chama para a próxima ronda, você vê diferente: a lista ordena por horário, não por quanto alguém gosta de você. Um grupo de colegas de plantão pode ultrapassar a pessoa que mais importa, e isso é só a ordenação cronológica funcionando como deveria, não um placar de quem está indo embora. Antes da próxima checagem, você decide anotar as horas reais desde a última mensagem dela, em vez de olhar a posição que ela ocupa.