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A ciência do favoritismo familiar: o que a pesquisa realmente mostra
A maioria dos pais insiste que ama os filhos 'igualmente'. Décadas de pesquisa sobre o tratamento diferencial parental — liderada em grande parte pelos estudos de longo prazo da socióloga Jill Suitor com famílias da região de Boston — contam uma história mais complicada: a maioria das mães sente, em particular, mais proximidade com um dos filhos, a maioria hesita em admitir isso abertamente, e os filhos adultos costumam errar sobre quem é o favorito. Enquanto isso, a ideia popular de que a ordem de nascimento por si só explica a personalidade — o primogênito mandão, o caçula rebelde — já foi testada em dezenas de milhares de pessoas e, na maior parte, não se sustentou. O que prevê o bem-estar na vida adulta não é a posição na ordem de nascimento, mas se você se sentiu, ou ainda se sente, escolhido a dedo. Veja como a ciência saiu da teoria popular para as pesquisas com famílias reais.
TESTE-SE · Quanto você sabe desta ciência?
01 Em entrevistas com mães da região de Boston, qual foi a proporção que indicou em particular um filho com quem se sentia mais próxima?
Cerca de 70% das 275 mães entrevistadas indicaram um filho específico com quem se sentiam mais próximas, mesmo que negar publicamente o favoritismo seja a norma social e a maioria hesitasse em dizer isso abertamente. fonte ↗
02 Segundo 'I'm Sure She Chose Me!' (Suitor et al., 2006), qual foi a precisão dos filhos adultos ao apontar qual irmão a mãe realmente favorecia?
Os filhos acertavam bastante sobre se a mãe favorecia alguém, mas apenas cerca de 39% acertaram qual irmão era — e quem não era o escolhido costumava ser quem tinha mais certeza de que era. fonte ↗
03 O que a teoria da desidentificação entre irmãos (Schachter et al., 1976) propõe?
Schachter e colegas constataram que a desidentificação era mais acentuada entre irmãos de idades próximas, que adotam interesses, traços e papéis distintos como estratégia para reduzir a rivalidade e a comparação — diferenças que são em parte construídas, não só natas. fonte ↗
04 O que concluiu o maior estudo sobre ordem de nascimento e personalidade (Rohrer, Egloff & Schmukle, 2015)?
Entre mais de 20 mil pessoas na Alemanha, nos EUA e na Grã-Bretanha, a ordem de nascimento não teve efeito relevante sobre extroversão, estabilidade emocional, amabilidade, conscienciosidade ou abertura — contradizendo a afirmação popular de que a posição de nascimento determina a personalidade. fonte ↗
05 Segundo o estudo de 2010 na Journal of Marriage and Family, o bem-estar de quem foi afetado pelo tratamento materno diferencial percebido?
Pillemer, Suitor e colegas constataram que o tratamento diferencial percebido previu mais sintomas depressivos na meia-idade tanto para o irmão favorecido quanto para o desfavorecido — o favoritismo tem custos até para o filho que se beneficia dele. fonte ↗