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A ciência do medo de dinheiro

O roteiro interno diz: 'Não abra o app do banco.

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O PENSAMENTO

Se eu não abrir a conta, ela ainda não é real

SUA RESPOSTA GRAVADA

O número existe se eu abro ou não. Olhar só muda o que eu sei, não o que é.

UM PASSO PRIVADO

Na próxima notificação do banco, abra o app, veja o saldo exato em uma única tela, sem clicar em mais nada, e feche. Escreva o número em um papel ou seu celular. Você terá a informação real em menos de três minutos, sozinho.

Não olhe o extrato. Se eu não vir o número, ele não pode me machucar.' Vinte anos de pesquisa contam uma história precisa sobre esse roteiro. Economistas o chamaram de efeito avestruz e depois o mediram em milhões de logins de conta: as pessoas consultam informações financeiras menos justamente quando esperam que sejam ruins. Enquanto isso, psicólogos mostraram que a ansiedade financeira é um padrão distinto e mensurável construído em torno de evitar informações sobre dinheiro, que a escassez em si taxa o pensamento, e que a vergonha financeira alimenta uma espiral em que se esconder do problema o aprofunda. Veja como a ciência se desenvolveu.

72%dos adultos dos EUA relataram se sentir estressados com dinheiro pelo menos parte do tempo — dinheiro liderou a lista de estressores na pesquisa Stress in America da APA-9.5%de queda nos logins de contas de aposentadoria após quedas do mercado, em dados diários de centenas de milhares de investidores — a atenção cai justamente quando as notícias pioram22%dos adultos dos EUA classificaram seu estresse com dinheiro no último mês como extremo — um 8, 9 ou 10 numa escala de 10 pontos — na mesma pesquisa nacional da APA2 harvestsos mesmos agricultores de cana-de-açúcar da Índia foram testados antes e depois da colheita: o desempenho cognitivo era mensuravelmente pior antes da colheita, quando o dinheiro estava apertado — a mesma pessoa, escassez diferente

Como a ciência mudou

  1. 2006

    Dan Galai e Orly Sade cunham o termo 'efeito avestruz' no Journal of Business, documentando que investidores aceitam retornos menores em ativos cujas más notícias são mais fáceis de não ver — um comportamento que eles comparam a um avestruz que trata o risco fingindo que ele não existe.

  2. 2009

    Karlsson, Loewenstein e Seppi publicam 'The ostrich effect: Selective attention to information', modelando por que as pessoas 'enfiam a cabeça na areia' após más notícias preliminares — e mostrando que investidores suecos e americanos monitoravam menos suas carteiras quando os mercados caíam.

  3. 2012

    Shapiro e Burchell mostram que a ansiedade financeira pode ser medida como um construto distinto da depressão e da ansiedade geral — e que em uma tarefa de atenção (o paradigma dot-probe), as pessoas com ansiedade financeira se caracterizavam por evitar informações financeiras.

  4. 2013

    Mani, Mullainathan, Shafir e Zhao publicam 'Poverty Impedes Cognitive Function' na Science — o núcleo empírico da tese da mentalidade de escassez: apenas evocar uma grande preocupação financeira reduziu o desempenho cognitivo de participantes de baixa renda, e os mesmos agricultores pontuaram pior antes da colheita (pobres) do que depois (com dinheiro).

  5. 2016

    Sicherman, Loewenstein, Seppi e Utkus publicam 'Financial Attention' na Review of Financial Studies: em dados diários de login de centenas de milhares de contas de aposentadoria, os logins caíram 9,5% após quedas do mercado — o efeito avestruz medido em escala em comportamento real.

  6. 2017

    'The Ostrich in Us', de Olafsson e Pagel, estende o efeito do investimento para o dinheiro do dia a dia: em registros de apps financeiros, as pessoas prestavam mais atenção às suas contas quando os saldos e a liquidez estavam altos, e desviavam o olhar quando estavam baixos.

  7. 2021

    Gladstone, Jachimowicz, Greenberg e Galinsky documentam as 'espirais de vergonha financeira' na Organizational Behavior and Human Decision Processes: a vergonha financeira prediz o afastamento e a evitação das próprias finanças, o que por sua vez aprofunda a dificuldade que causou a vergonha.

O que as pessoas acreditam vs. o que os dados mostram

A crençaNão olhar a conta te protege — o que você não vê não pode te estressar.

Os dadosA pesquisa mostra o padrão oposto: a atenção cai justamente quando a informação mais importa. Investidores fizeram 9,5% menos logins após quedas do mercado, e as pessoas consultavam menos suas contas do dia a dia quando os saldos estavam baixos — a evitação acompanha as más notícias, não as neutraliza.

A crençaSe dinheiro te estressa, é porque você simplesmente é ruim com dinheiro.

Os dadosEstresse com dinheiro é a norma, não um defeito pessoal: 72% dos adultos dos EUA relataram se sentir estressados com dinheiro pelo menos parte do tempo, e dinheiro liderou a lista de estressores na pesquisa nacional da APA. A ansiedade financeira também é um construto mensurável, distinto da ansiedade geral — não um veredito sobre o caráter.

A crençaSe você fosse mais inteligente ou disciplinado, não evitaria suas finanças.

Os dadosA própria escassez consome a capacidade cognitiva que o roteiro exige: na Science, apenas evocar uma grande preocupação financeira reduziu o desempenho cognitivo de participantes de baixa renda, e os mesmos agricultores pontuaram pior antes da colheita do que depois. O aperto da situação — não um déficit pessoal fixo — é que causava o prejuízo.

A crençaSentir vergonha da sua situação financeira vai te motivar a resolvê-la.

Os dadosA pesquisa sobre espirais de vergonha encontrou o contrário: a vergonha financeira previu o afastamento e a evitação das próprias finanças, o que aprofundou a dificuldade — enquanto a culpa (sobre ações específicas, e não sobre o eu) não mostrou o mesmo padrão de evitação. A vergonha é um motor documentado da espiral, não a saída dela.

A crençaEvitar informações financeiras é uma mania inofensiva sem custo real.

Os dadosO artigo que batizou o efeito avestruz mostrou que as pessoas literalmente pagam pelo conforto de não ver: investidores aceitaram rendimentos menores em ativos cujas más notícias eram mais fáceis de ignorar, com a diferença aumentando em períodos de maior incerteza. A evitação tem um preço mensurável embutido.

TESTE-SE · Quanto você sabe desta ciência?

  1. 01 O que é o 'efeito avestruz' na literatura de pesquisa financeira?

    Galai e Sade cunharam o termo em 2006 para descrever evitar situações financeiras aparentemente arriscadas fingindo que elas não existem; Karlsson, Loewenstein e Seppi (2009) o formalizaram como atenção seletiva — monitorar mais a informação após boas notícias preliminares e menos após más. fonte

  2. 02 No estudo 'Financial Attention' sobre logins diários em contas de aposentadoria, o que aconteceu após quedas do mercado?

    Sicherman, Loewenstein, Seppi e Utkus (2016) constataram que os logins caíram 9,5% após quedas do mercado, e a atenção também era menor quando o índice de volatilidade VIX estava alto — evidência comportamental em larga escala do efeito avestruz. fonte

  3. 03 O que Mani, Mullainathan, Shafir e Zhao (Science, 2013) descobriram sobre preocupação financeira e pensamento?

    Nos experimentos, considerar um problema financeiro hipotético caro (como um grande conserto de carro) reduziu o desempenho em tarefas de raciocínio não relacionadas nos participantes de baixa renda, mas não nos mais ricos — e o estudo de campo constatou que os mesmos agricultores pontuavam pior antes da colheita, pobres, do que depois. fonte

  4. 04 Segundo Shapiro e Burchell (2012), como a ansiedade financeira apareceu em uma tarefa objetiva de atenção?

    Em 'Measuring Financial Anxiety', os resultados do dot-probe foram predominantemente caracterizados pela evitação de informações financeiras, o autorrelato correlacionou com as medidas implícitas, e a ansiedade financeira emergiu como um construto distinto da depressão e da ansiedade geral. fonte

  5. 05 Na pesquisa sobre 'espirais de vergonha financeira' (2021), o que a vergonha financeira previu?

    Gladstone, Jachimowicz, Greenberg e Galinsky constataram que a vergonha financeira previa o afastamento e a evitação das próprias finanças — uma espiral que se autorreforça, em que a vergonha intensifica exatamente a dificuldade que a originou, ao contrário da culpa ligada a ações específicas. fonte

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