SCENE_01
A mesa ainda está posta, mas o horário não volta
Você olha para a agenda, para a cadeira vazia, para a caixa que ainda não foi mexida, e a pergunta vem inteira: “Quem sou eu sem esse papel?” O dia continua com tarefas, mas já não organiza você do mesmo jeito. O silêncio onde havia rotina parece maior do que a própria falta.
SCENE_02
Se não sou mais isso, então não sei sobrar
Por dentro, a leitura é rápida e dura: sem essa função, sobra um vazio sem forma. Aí você começa a se explicar pelo que fazia antes, responde com cargo, com título, com o lugar que ocupava. Em vez de procurar o que ainda está vivo em você, você se encolhe no contorno do que terminou.
SCENE_03
O fim do papel não apagou você — só desfez uma moldura
O papel era real, e o fim dele também. O que desorienta não é fraqueza; é perda de uma coisa que organizava seu dia e seu jeito de se reconhecer. O próximo passo não é inventar uma nova versão perfeita. É separar, com calma, o que era função do que também pode existir fora dela.