SCENE_01
O momento em que a ideia chega
Você está deitado, meio acordado, e uma imagem vem: uma série de fotografias de objetos domésticos reorganizados, luz lateral, sombras nítidas. A ideia tem peso. Você já vê o primeiro frame. Mas então, na sequência de segundos seguinte, você lembra de um fotógrafo belga que fez exatamente isso em 2009. Talvez 2008. Você não tem certeza, mas a certeza não importa — o sentimento já mudou. Você apaga a luz do celular.
SCENE_02
O que você diz para si mesmo naquele escuro
Isso não é novo. Alguém já pensou nisso melhor. A história da fotografia, da arte, do design já foi escrita por pessoas talentosas que viveram quando havia espaço para o novo. Agora há bilhões de imagens na internet. Qualquer coisa que você fizer será uma versão pior de algo que já existe. Não é falta de habilidade — é clareza sobre o fato. Então você não começa. A câmera fica na mochila. A série fica sendo uma lembrança que você teve uma vez.
SCENE_03
O espaço onde você realmente trabalha
Tudo de fato foi feito. Mas não por você, com sua visão, neste ano, usando o que aprendeu nos últimos meses. A brecha não está em ter uma ideia inédita — está em fazer algo que passa pelo seu filtro específico, agora. Uma fotografia que outro fotógrafo faria diferente porque ele é outra pessoa, em outro tempo, com outras obsessões. Você começa com uma coisa pequena: escolher um objeto que tem à mão nesta semana e fotografá-lo duas vezes sob iluminações diferentes. Não é para provar nada. É para notar o que muda quando você aperta o disparador.