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A ciência da ansiedade social: por que a plateia na sua cabeça é maior do que a real

Seu cérebro roda um roteiro: todo mundo está olhando, todo mundo vê que você está nervoso e cada momento constrangedor fica gravado. Trinta anos de experimentos mostram que o roteiro erra nos três pontos. Observadores percebem cerca de metade do que supomos, o nervosismo sentido é quase invisível, e o que fazemos para esconder o medo — ensaiar falas, evitar contato visual, segurar firme o copo — é justamente o que o mantém vivo. Veja o que a pesquisa realmente mostra.

Como a ciência mudou · 19852016

  1. 1985

    Michael Liebowitz e colegas chamam a fobia social de 'transtorno de ansiedade negligenciado', disparando uma onda de pesquisa sistemática sobre uma condição até então quase não estudada.

  2. 1995

    David M. Clark e Adrian Wells publicam seu modelo cognitivo: a ansiedade social persiste não porque as situações sociais sejam perigosas, mas porque a atenção autofocada e os comportamentos de segurança bloqueiam as evidências que refutariam o medo.

  3. 1998

    Gilovich, Savitsky e Medvec batizam a 'ilusão de transparência': as pessoas superestimam sistematicamente o quanto seus estados internos — nervosismo, desgosto, mentiras — vazam e são legíveis para os observadores.

  4. 1998

    Wells e Papageorgiou mostram que exposição breve mais atenção deliberadamente externa supera a exposição isolada em todos os oito pacientes com fobia social testados — voltar a atenção para fora virou alvo de tratamento.

  5. 2000

    Gilovich, Medvec e Savitsky conduzem os famosos estudos da camiseta do Barry Manilow: quem a vestia previa que metade da sala notaria a camiseta constrangedora; na verdade, menos de um quarto notou. O 'efeito holofote' ganha seu nome.

  6. 2003

    Savitsky e Gilovich mostram que a ilusão de transparência é corrigível: oradores que apenas ouviram que a plateia não enxerga o nervosismo tanto quanto se supõe ficaram mais calmos e fizeram discursos mais bem avaliados pelos observadores.

  7. 2016

    Dados de ensaios mostram que a mudança da atenção autofocada para a externa não é efeito colateral, e sim mediador: o quanto os pacientes voltam a atenção para fora prevê o quanto melhoram na terapia cognitiva para ansiedade social.

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