SCENE_01
Você manda a foto do café e vê os dois tracinhos azuis pararem no lugar
Você posta a foto dele coando café às seis da manhã no grupo que costuma explodir de reações em um minuto. Passam-se dez minutos. Os tracinhos azuis vão se empilhando embaixo da sua mensagem, um, depois outro, depois um terceiro. Nenhum gif, nenhum ponto de exclamação, nada. Você deixa a tela aberta e atualiza, como se a resposta só estivesse atrasada.
SCENE_02
Você lê essa pausa como o voto real do grupo, segurado por educação
Você decide que o silêncio é porque todo mundo é educado demais para dizer o que realmente pensa, então começa a fazer esse trabalho por elas: revisa as últimas três visitas dele, compara as piadas dele com o quanto o grupo riu, anota a vez em que sua prima só escreveu 'fofo' sem continuar a conversa. Da próxima vez que quase sobe o vídeo dele ensinando seu sobrinho a andar de bicicleta, você apaga e manda uma figurinha qualquer no lugar, para não sobrar nada sobre o que o silêncio possa opinar.
SCENE_03
Você confere o ritmo real do grupo em vez de confiar na pausa
Antes de assumir que o silêncio significa algo específico sobre ele, você volta nas suas últimas cinco publicações, de qualquer assunto — uma novidade do trabalho, um meme, uma foto do seu cachorro — e cronometra quanto tempo cada uma levou para ter a primeira resposta. Algumas também ficaram paradas vinte minutos. A pausa depois da foto dele acaba batendo com o ritmo comum do grupo, não com um veredito escrito só para ele.