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A ciência da perda do emprego: por que dói mais do que o salário que falta

O roteiro interno depois de uma demissão diz que a dor é pelo dinheiro — e que, se você está desmoronando, é fraco, e, se continua sendo rejeitado, é defeituoso. Noventa anos de pesquisa contam outra história. O trabalho fornece em silêncio coisas além da renda — estrutura de tempo, contato social, propósito compartilhado, status, atividade — e perdê-las atinge em cheio a saúde mental: metanálises encontram cerca de duas vezes mais pessoas desempregadas com sofrimento psicológico do que empregadas. O sofrimento é uma consequência documentada da situação, não um veredicto sobre você. Veja como a ciência do desemprego foi construída e o que ela realmente encontrou.

Como a ciência mudou · 19332010

  1. 1933

    Jahoda, Lazarsfeld e Zeisel publicam o estudo de Marienthal, uma vila austríaca onde quase todos perderam o emprego: em vez de revolta, documentam resignação — apatia, vida social encolhida e um colapso do senso de tempo. Jahoda depois se apoiou nele para sua teoria sobre o que o trabalho fornece.

  2. 1982

    Marie Jahoda publica Employment and Unemployment, formalizando o modelo de privação latente: além da renda, o emprego fornece cinco funções latentes — estrutura de tempo, contato social, propósito coletivo, status e atividade regular — e é perder o acesso a elas que prejudica a saúde mental.

  3. 1993

    Prussia, Kinicki e Bracker aplicam o modelo atribucional de Weiner às demissões no Journal of Applied Psychology: a forma como as pessoas explicam a perda do emprego para si mesmas — e não apenas a perda em si — molda suas reações emocionais e suas expectativas de conseguir um novo trabalho.

  4. 2004

    Lucas, Clark, Georgellis e Diener acompanham mais de 24.000 alemães por 15 anos na Psychological Science: o desemprego derruba a satisfação com a vida, e em média as pessoas não voltam totalmente ao patamar anterior — mesmo depois de conseguir um novo emprego. O efeito 'cicatriz' entra na psicologia.

  5. 2005

    McKee-Ryan, Song, Wanberg e Kinicki publicam uma metanálise do bem-estar durante o desemprego: pessoas desempregadas mostram saúde mental e satisfação com a vida claramente menores, o golpe é maior para quem centra a identidade no trabalho, e o reemprego traz recuperação substancial.

  6. 2009

    A metanálise de Paul e Moser sobre 324 estudos quantifica o dano: 34% das pessoas desempregadas mostram problemas psicológicos contra 16% das empregadas (efeito médio d = 0,51) — e os estudos longitudinais mostram que o próprio desemprego contribui para o sofrimento, e não apenas que o sofrimento prévio causa desemprego.

  7. 2010

    O estudo de diário 'The Job Search Grind', de Wanberg, Zhu e Van Hooft, acompanha candidatos por três semanas: humor e confiança oscilam dia a dia com o progresso percebido da busca, e um dia de pouco progresso costuma ser seguido de mais esforço no dia seguinte — o desgaste é dinâmico, não um traço fixo.

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