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A ciência do bloqueio criativo: por que esperar a musa é o próprio bloqueio

O roteiro popular diz que o bloqueio criativo significa que você perdeu o dom, e que a cura é esperar a inspiração voltar. Quatro décadas de experimentos contam outra história: a criatividade cai quando as pessoas esperam ser julgadas, escritores bloqueados obrigados a seguir um horário produzem mais ideias — e mais originais — do que os que esperam se sentir inspirados, e acreditar que você pode ser criativo prevê a produção criativa além da sua habilidade real. Veja como a pesquisa desmontou a musa, peça por peça.

Como a ciência mudou · 19792009

  1. 1979

    Teresa Amabile mostra experimentalmente que a simples expectativa de avaliação reduz a criatividade: participantes que fizeram colagens sabendo que especialistas as julgariam produziram trabalhos avaliados como significativamente menos criativos do que os de quem trabalhou sem expectativa de avaliação.

  2. 1983

    Em The Social Psychology of Creativity, Amabile formula o princípio da motivação intrínseca: as pessoas são mais criativas quando movidas pelo interesse e pelo prazer no próprio trabalho, e pressões extrínsecas como a avaliação esperada tendem a minar a criatividade.

  3. 1983

    Robert Boice conduz um experimento de 10 semanas com escritores bloqueados: os obrigados a escrever com horário produziram o maior número de ideias criativas, os escritores espontâneos apenas números modestos, e os que esperavam ter vontade de escrever geraram as menos — a estrutura externa facilitou a criatividade em vez de impedi-la.

  4. 1990

    Amabile, Goldfarb e Brackfield ampliam os achados sobre avaliação: ser observado enquanto trabalha (vigilância) e esperar julgamento reduzem ambos a criatividade — o efeito é da situação social, não do talento da pessoa.

  5. 1990

    Em Professors as Writers, Boice sintetiza sua pesquisa de intervenção com acadêmicos bloqueados: sessões breves, regulares e programadas vencem de forma confiável a espera pela inspiração e a escrita em maratonas — tanto em páginas produzidas quanto em ideias geradas.

  6. 2002

    Tierney e Farmer introduzem a autoeficácia criativa — a crença de que você pode ser criativo no seu trabalho — e mostram em duas empresas que ela prevê o desempenho criativo além da autoeficácia profissional: o que você acredita sobre a sua criatividade importa independentemente da sua competência geral.

  7. 2009

    Sio e Ormerod publicam no Psychological Bulletin uma revisão metanalítica da incubação: afastar-se de um problema produz um efeito real e positivo na sua resolução, e as tarefas de pensamento divergente (criativas) são as que mais se beneficiam — principalmente quando a pausa é preenchida com atividade pouco exigente.

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