CRONOLOGIA_DE_PESQUISA
A ciência de perder amigos para o casamento e os filhos: por que os círculos encolhem conforme um cronograma
Quando amigos somem em casamentos e bebês — ou quando foi você quem sumiu — o diálogo interno costuma tornar isso pessoal: eles escolheram a vida nova em vez de você, ou você falhou com eles. Quarenta anos de pesquisa sobre redes contam uma história mais estrutural: casais se retiram das redes pessoais num padrão documentado e previsível; as redes de amizade encolhem para quase todo mundo depois do início da vida adulta; um novo parceiro desloca membros do círculo próximo; e cerca de metade da rede próxima de qualquer pessoa se renova a cada sete anos — principalmente porque as oportunidades de encontro secam, não porque alguém deixou de se importar. Veja o que os dados realmente mostram.
Como a ciência mudou · 1982–2014
- 1982
Johnson e Leslie testam a 'hipótese do recolhimento diádico' na Social Psychology Quarterly: à medida que os casais passam de encontros ocasionais para o casamento, seu envolvimento nas redes pessoais se contrai — o afastamento é um traço estrutural de formar um casal, não uma falha de caráter. ↗
- 2003
Kalmijn analisa na Social Networks dados de pesquisa com casais casados e em coabitação: ao longo da relação, as redes de amizade dos parceiros encolhem e se sobrepõem cada vez mais — os amigos em comum do casal vão substituindo os amigos pessoais de cada um. ↗
- 2010
O grupo de Dunbar em Oxford relata que assumir um novo parceiro romântico costuma custar cerca de dois membros do círculo próximo de apoio — o tempo e a atenção que um parceiro absorve deslocam vínculos próximos existentes. ↗
- 2011
O estudo longitudinal de 18 meses de Roberts e Dunbar mostra que as amizades decaem de forma mensurável quando o contato cessa, enquanto os laços de parentesco toleram o descuido — a sobrevivência de uma amizade depende de atividade contínua de manutenção, não só de sentimentos. ↗
- 2012
Kalmijn publica na Advances in Life Course Research análises longitudinais que separam os efeitos da idade, do casamento e da parentalidade: são as próprias transições — não um afeto que esfria — que causam a queda no contato com os amigos. ↗
- 2013
Wrzus e colegas publicam no Psychological Bulletin uma metanálise de 277 estudos (177.635 participantes): a rede social global atinge o pico no início da vida adulta e depois declina de forma constante, e as redes pessoais e de amizade encolhem ao longo da vida adulta — para quase todo mundo, em todos os lugares onde isso foi medido. ↗
- 2014
Mollenhorst, Völker e Flap publicam na Social Networks seu estudo de painel holandês de sete anos: o tamanho da rede permanece mais ou menos estável enquanto as pessoas dentro dela mudam substancialmente, e uma razão principal para o fim das relações é a simples falta de oportunidades de encontro — os contextos sociais que as produziram desaparecem. ↗